Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Conceito de suficiente

Ultimamente tenho sido abordado por muitas pessoas em busca de conselhos e todas elas parecem estar com dificuldades em lidar com o conceito de suficiente.

Quando é que se é boa pessoa o suficiente?

Quando é que se é feliz o suficiente?

Serei magro o suficiente?

Curiosamente ou não, todas essas pessoas questionaram esse conceito porque outras pessoas o questionaram nelas. Primeiro que tudo, é admirável haver tanta gente ocupada com a vida alheia ao ponto de se preocuparem com aspectos que não lhes dizem respeito. Segundo, o conceito de suficiente é das coisas mais ambíguas que existe. O que para uns é uma vida plena, para outros é uma pobreza extrema. Terceiro, quando chegamos ao ponto de nos questionarmos sobre nós mesmos baseados em meras opiniões de quem verdadeiramente não nos conhece, é uma red flag.

O mundo está repleto de opiniões, comentários e notas de rodapé proferidas ao sabor do vento. Algumas dessas dissertações alheias serão válidas e serão lições a reter. Outras serão apenas maldosas e serão igualmente lições a reter. Mas nenhuma das duas serão alguma vez o todo de cada um de nós.

Suficiente. Conceito interessante. Todos mudamos com o passar dos anos. Crescemos, tornamo-nos mais cientes do que nos rodeia, das consequências das acções, das pessoas que desejamos ser e as pessoas que olhamos no espelho todas as manhãs.

E quando é que o que somos é suficiente?

Não é. Mas isso não nos torna más pessoas. Torna-nos apenas seres ávidos de beber um pouco mais de vida no da seguinte, um dia de cada vez. E crescer no processo. Mas por opção própria, nunca por vontade dos outros. Se assim for, não passamos de ovelhas e iremos acabar todos iguais uns aos outros. Por esse ponto de vista, serei sempre o Lobo Mau da história. Não me vergo a vontades alheias, desejos, caprichos ou psicologias ultrapassadas.

Eu, sou boa pessoa o suficiente? Não, mas hoje sou boa pessoa quanto baste.

Sou feliz o suficiente? Sou feliz quanto baste.

Sou magro o suficiente? 69kg. É o meu número mágico e estou feliz quanto baste.

Amanhã logo vejo. Pode ser que o suficiente de hoje, amanhã não seja mais. E que assim seja. É sinal que se deu um passo em frente.

Profiro a mesma frase há muitos anos e o seu significado continua tão acertado quanto coerente.

As terceiras pessoas do plural do verbo da minha vida não definem a primeira pessoa do singular que eu sou. É o meu verbo.

 

Esta religião não é para mim...

Muito raramente me sento no lugar do pendura num carro. Primeiro, porque gosto demasiado de conduzir. Depois, porque sou controlador em demasia e tenho alergia ao banco do lado direito. Mas hoje teve mesmo de ser.

Deram-me boleia para um certo destino. E a primeira coisa que reparo é um daqueles autocolantes "Jesus te ama". Ok, tudo bem. É um cristão devoto. No harm in that. Sento-me e vejo um terço. E uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. E quatro ferraduras. Cum caraças...

Fiquei num silêncio profundo...

- Estás bem? - perguntou ele.

- Não sei bem. Já não me sentia tão perto do catolicismo desde a catequese...

- Epá, sou um católico fervoroso. Rezo constantemente, vou a Fátima, igreja todos os Domingos. E dessa forma, Deus olha por todos nós...

- Ok...

E retomei o meu silêncio. Nada contra o catolicismo, pelo contrário. Sempre respeitei as crenças alheias mas nunca fui muito à bola com fanatismos levados ao extremo, o que me parecia ser ligeiramente o caso. Lá seguimos viagem e acabámos parados num semáforo. Um semáforo onde um senhor já de alguma idade vendia a revista Cais. E eis que se dá a pièce de résistance. A primeira coisa que ele faz é trancar as portas, seguido de uma expressão de desprezo absoluto.

- Olha lá, não foste tu que disseste que Deus olha por todos nós? - questionei.

- Sim, porquê? - respondeu.

- Então porque trancaste as portas e fizeste essa expressão?

- Há os merecedores e os proscritos...

Foi a gota de água.

- Hum, portanto Deus, para além de ser um gajo que desconhece o conceito de Gillette, é extremamente selectivo. Um pouco hipócrita, até. Bem, esta viagem foi muito gira até aqui mas vou-te então deixar com o teu Deus e as portas trancadas aos menos afortunados que eu faço o resto do caminho a pé. E nem sequer o deixei argumentar mais porra nenhuma.

Portanto, anda o Francisquinho a apregoar uma coisa e fulanos destes a enfiar na massa encefálica uma coisa totalmente distinta. Há algo de muito errado na religião...

Para ti, avó...

O dia que temi o ano inteiro chegou.

Fez um ano que partiste e eu mudei para sempre. Levaste contigo o que de melhor eu tinha, aquilo que apenas tu sabias ver em mim.

E passados estes 365 dias, continuas a ser o meu primeiro pensamento do dia e também o último. A tua ausência dói-me todos os dias, mas hoje a ferida doeu mais. O vazio já de si gigantesco, tornou-se simplesmente incomensurável. Destruiu-me literalmente ao ponto de me consumir durante as 24 horas do dia. Não fui eu, não fui ninguém, não fui nada.

Fazes-me muita falta. Eras a minha bússola em momentos de maior hesitação, a minha régua que me incitava a seguir em frente. Hoje faço-o sozinho mas falta-me o teu sorriso, o teu acenar do rosto, a tua sabedoria.

Procurei algum conforto nas tuas fotos mas não o encontrei. Apenas lágrimas de saudade.

Amei-te. Amo-te. E amar-te-ei sempre.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Calendário

Janeiro 2015

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Licença

Licença Creative Commons
Este obra para além de estar razoavelmente bem escrita (se assim não fosse, não havia tanta gente a plagiá-la), está também licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D