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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Conceito de suficiente

24.01.15publicado por Gato Pardo

Ultimamente tenho sido abordado por muitas pessoas em busca de conselhos e todas elas parecem estar com dificuldades em lidar com o conceito de suficiente.

Quando é que se é boa pessoa o suficiente?

Quando é que se é feliz o suficiente?

Serei magro o suficiente?

Curiosamente ou não, todas essas pessoas questionaram esse conceito porque outras pessoas o questionaram nelas. Primeiro que tudo, é admirável haver tanta gente ocupada com a vida alheia ao ponto de se preocuparem com aspectos que não lhes dizem respeito. Segundo, o conceito de suficiente é das coisas mais ambíguas que existe. O que para uns é uma vida plena, para outros é uma pobreza extrema. Terceiro, quando chegamos ao ponto de nos questionarmos sobre nós mesmos baseados em meras opiniões de quem verdadeiramente não nos conhece, é uma red flag.

O mundo está repleto de opiniões, comentários e notas de rodapé proferidas ao sabor do vento. Algumas dessas dissertações alheias serão válidas e serão lições a reter. Outras serão apenas maldosas e serão igualmente lições a reter. Mas nenhuma das duas serão alguma vez o todo de cada um de nós.

Suficiente. Conceito interessante. Todos mudamos com o passar dos anos. Crescemos, tornamo-nos mais cientes do que nos rodeia, das consequências das acções, das pessoas que desejamos ser e as pessoas que olhamos no espelho todas as manhãs.

E quando é que o que somos é suficiente?

Não é. Mas isso não nos torna más pessoas. Torna-nos apenas seres ávidos de beber um pouco mais de vida no da seguinte, um dia de cada vez. E crescer no processo. Mas por opção própria, nunca por vontade dos outros. Se assim for, não passamos de ovelhas e iremos acabar todos iguais uns aos outros. Por esse ponto de vista, serei sempre o Lobo Mau da história. Não me vergo a vontades alheias, desejos, caprichos ou psicologias ultrapassadas.

Eu, sou boa pessoa o suficiente? Não, mas hoje sou boa pessoa quanto baste.

Sou feliz o suficiente? Sou feliz quanto baste.

Sou magro o suficiente? 69kg. É o meu número mágico e estou feliz quanto baste.

Amanhã logo vejo. Pode ser que o suficiente de hoje, amanhã não seja mais. E que assim seja. É sinal que se deu um passo em frente.

Profiro a mesma frase há muitos anos e o seu significado continua tão acertado quanto coerente.

As terceiras pessoas do plural do verbo da minha vida não definem a primeira pessoa do singular que eu sou. É o meu verbo.

 

Esta religião não é para mim...

20.01.15publicado por Gato Pardo

Muito raramente me sento no lugar do pendura num carro. Primeiro, porque gosto demasiado de conduzir. Depois, porque sou controlador em demasia e tenho alergia ao banco do lado direito. Mas hoje teve mesmo de ser.

Deram-me boleia para um certo destino. E a primeira coisa que reparo é um daqueles autocolantes "Jesus te ama". Ok, tudo bem. É um cristão devoto. No harm in that. Sento-me e vejo um terço. E uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. E quatro ferraduras. Cum caraças...

Fiquei num silêncio profundo...

- Estás bem? - perguntou ele.

- Não sei bem. Já não me sentia tão perto do catolicismo desde a catequese...

- Epá, sou um católico fervoroso. Rezo constantemente, vou a Fátima, igreja todos os Domingos. E dessa forma, Deus olha por todos nós...

- Ok...

E retomei o meu silêncio. Nada contra o catolicismo, pelo contrário. Sempre respeitei as crenças alheias mas nunca fui muito à bola com fanatismos levados ao extremo, o que me parecia ser ligeiramente o caso. Lá seguimos viagem e acabámos parados num semáforo. Um semáforo onde um senhor já de alguma idade vendia a revista Cais. E eis que se dá a pièce de résistance. A primeira coisa que ele faz é trancar as portas, seguido de uma expressão de desprezo absoluto.

- Olha lá, não foste tu que disseste que Deus olha por todos nós? - questionei.

- Sim, porquê? - respondeu.

- Então porque trancaste as portas e fizeste essa expressão?

- Há os merecedores e os proscritos...

Foi a gota de água.

- Hum, portanto Deus, para além de ser um gajo que desconhece o conceito de Gillette, é extremamente selectivo. Um pouco hipócrita, até. Bem, esta viagem foi muito gira até aqui mas vou-te então deixar com o teu Deus e as portas trancadas aos menos afortunados que eu faço o resto do caminho a pé. E nem sequer o deixei argumentar mais porra nenhuma.

Portanto, anda o Francisquinho a apregoar uma coisa e fulanos destes a enfiar na massa encefálica uma coisa totalmente distinta. Há algo de muito errado na religião...

Para ti, avó...

15.01.15publicado por Gato Pardo

O dia que temi o ano inteiro chegou.

Fez um ano que partiste e eu mudei para sempre. Levaste contigo o que de melhor eu tinha, aquilo que apenas tu sabias ver em mim.

E passados estes 365 dias, continuas a ser o meu primeiro pensamento do dia e também o último. A tua ausência dói-me todos os dias, mas hoje a ferida doeu mais. O vazio já de si gigantesco, tornou-se simplesmente incomensurável. Destruiu-me literalmente ao ponto de me consumir durante as 24 horas do dia. Não fui eu, não fui ninguém, não fui nada.

Fazes-me muita falta. Eras a minha bússola em momentos de maior hesitação, a minha régua que me incitava a seguir em frente. Hoje faço-o sozinho mas falta-me o teu sorriso, o teu acenar do rosto, a tua sabedoria.

Procurei algum conforto nas tuas fotos mas não o encontrei. Apenas lágrimas de saudade.

Amei-te. Amo-te. E amar-te-ei sempre.